Pretendo propor nesta semana uma abordagem em relação à música de vanguarda e à música brega, pensando esses dois universos dentro do cenário educacional.
Tanto a denominação vanguarda quanto brega foram construídas por meras intenções de poder. A vanguarda foi associada a uma música “além do tempo” e como uma música crítica pelo fato de seus consumidores estarem associados ao público universitário. Já o brega foi uma denominação associada a algo alienante e clichê, por seus artistas, diferente dos da vanguarda, serem pessoas que geralmente não possuem muita escolaridade.
Mesmo que eu veja na música de vanguarda um caminho para provocar curiosidade nos discentes, ela pode não gerar muitos efeitos positivos. Como eu já expus semana passada, se mesmo sendo consumida por universitários, essa estética se encontra pouco consumida por uma boa parte deles e pelos profissionais provenientes desses meios como os próprios docentes, como podemos esperar em uma sala de aula, estimulo e interesse de um aluno de ensino médio por esse tipo de música?
Portanto, como observei em textos anteriores, a música de vanguarda é válida para ser aplicada nas escolas por questionar os modelos legitimados, mas também não surte efeito pelo fato dessa música se encontrar distante do cotidiano dos discentes e de muitos docentes, sem contar que muitas vezes o seu público-consumidor, como forma de manter seu prestigio, faz dela uma construção incompreensível e inatingível. Outro ponto se refere à educação: nosso sistema educacional, caracterizado pelo controle social, não comunga com a natureza liberta dessa música.
Já com a música brega a situação muda. Apesar de ainda ser na maioria das vezes consumida por setores mais periféricos, ela estabelece um canal de comunicação com a sociedade chegando a extrapolar as barreiras sociais. É por isso que acredito no ganho das escolas ao utilizarem essa música, afinal, uma educação de qualidade se dá através do diálogo que o docente termina por estabelecer com o seu aluno buscando entender o cotidiano desse aluno.
No entanto, apesar de eu visualizar um ponto frutífero em trazer a música brega para a sala de aula por ver nela a possibilidade de dialogar com a realidade dos alunos, eu penso que a nossa educação é reflexo também dos interesses simbólicos dos setores prestigiados da sociedade. Ou seja, os grupos sociais, para se afirmarem em seus espaços, demarcam fronteiras entre eles e os demais grupos como forma de se distinguirem e de preservarem seu poder na hierarquia estética e social.
Por exemplo: se eu sou considerado intelectual para a sociedade, para demarcar meu espaço, nego a utilização da música brega em minha aula por ela ser vista como algo simplório e de mau gosto e por se encontrar com maior freqüência em um público sem muita instrução escolar e sem prestigio social. Infelizmente é isso que muitas vezes acontece: os docentes reafirmam seus valores estéticos em salas de aula de acordo com o que é legitimado e imposto pelo seu grupo.
Percebemos essa imposição estética nos livros também. Nos livros de história, por exemplo, lemos sobre a MPB na ditadura militar, mas não encontramos nada acerca da música brega. Em literatura, podemos observar que os artistas e estéticas citadas, são as que interessam a uma elite intelectual. Se olharmos a gramática, o discurso legitimo é apenas aquele oficializado pelos que detêm de um saber formalizado. Assim acontece com a geografia, a matemática, a sociologia, etc.
Portanto, com relação à música brega, também visualizo uma importância dela nas salas de aula por ela se encontrar ligada ao cotidiano dos alunos, no entanto, muitas vezes ela não surte efeitos pelo fato dos docentes necessitarem reafirmar seu lugar de prestigio, esquecendo da importância da vivência cultural do seu discente para uma boa aprendizagem, preferindo as velhas classificações do que é uma música “mais” importante e “menos” importante para serem discutidas nos ambientes escolares.
Tanto a denominação vanguarda quanto brega foram construídas por meras intenções de poder. A vanguarda foi associada a uma música “além do tempo” e como uma música crítica pelo fato de seus consumidores estarem associados ao público universitário. Já o brega foi uma denominação associada a algo alienante e clichê, por seus artistas, diferente dos da vanguarda, serem pessoas que geralmente não possuem muita escolaridade.
Mesmo que eu veja na música de vanguarda um caminho para
Portanto, como observei em textos anteriores, a música de vanguarda é válida para ser aplicada nas escolas por questionar os modelos legitimados, mas também não surte efeito pelo fato dessa música se encontrar distante do cotidiano dos discentes e de muitos docentes, sem contar que muitas vezes o seu público-consumidor, como forma de manter seu prestigio, faz dela uma construção incompreensível e inatingível. Outro ponto se refere à educação: nosso sistema educacional, caracterizado pelo controle social, não comunga com a natureza liberta dessa música.
Já com a música brega a situação muda. Apesar de ainda ser na maioria das vezes consumida por setores mais periféricos, ela estabelece um canal de comunicação com a sociedade chegando a extrapolar as barreiras sociais. É por isso que acredito no ganho das escolas ao utilizarem essa música, afinal, uma educação de qualidade se dá através do diálogo que o docente termina por estabelecer com o seu aluno buscando entender o cotidiano desse aluno.
No entanto, apesar de eu visualizar um ponto frutífero em trazer a música brega para a sala de aula por ver nela a possibilidade de dialogar com a realidade dos alunos, eu penso que a nossa educação é reflexo também dos interesses simbólicos dos setores prestigiados da sociedade. Ou seja, os grupos sociais, para se afirmarem em seus espaços, demarcam fronteiras entre eles e os demais grupos como forma de se distinguirem e de preservarem seu poder na hierarquia estética e social.
Por exemplo: se eu sou considerado intelectual para a sociedade, para demarcar meu espaço, nego a utilização da música brega em minha aula por ela ser vista
Percebemos essa imposição estética nos livros também. Nos livros de história, por exemplo, lemos sobre a MPB na ditadura militar, mas não encontramos nada acerca da música brega. Em literatura, podemos observar que os artistas e estéticas citadas, são as que interessam a uma elite intelectual. Se olharmos a gramática, o discurso legitimo é apenas aquele oficializado pelos que detêm de um saber formalizado. Assim acontece com a geografia, a matemática, a sociologia, etc.
Portanto, com relação à música brega, também visualizo uma importância dela nas salas de aula por ela se encontrar ligada ao cotidiano dos alunos, no entanto, muitas vezes ela não surte efeitos pelo fato dos docentes necessitarem reafirmar seu lugar de prestigio, esquecendo da importância da vivência cultural do seu discente para uma boa aprendizagem, preferindo as velhas classificações do que é uma música “mais” importante e “menos” importante para serem discutidas nos ambientes escolares.
(Este texto foi publicado no Torto http://www.movimentotorto.com/ no dia 14 de fevereiro de 2011 e postado no Cinform Online www.cinformonline.com.br/vinatorto no dia 15 de fevereiro do mesmo ano).
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