quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Semelhanças entre a educação brasileira e a educação francesa

Por esses dias eu assisti a um filme francês de 2008 dirigido por Laurent Cantet chamado “Entre os muros da escola”.  Nesse filme, o que pude notar é que muitas questões penosas pelas quais passam os professores no sistema educacional brasileiro não se diferem muito da realidade da educação francesa.  O filme vai abordar acerca de um professor que tenta estimular seus alunos em sala de aula, mas sofre com vários problemas dentro do ambiente escolar como a falta de interesses desses discentes em querer aprender.
Neste texto vou tentar abrir algumas questões. Uma dessas questões diz respeito à precariedade da estrutura física da escola. O elitismo nos conteúdos expostos em sala de aula pelos professores é outra discussão que pretendo instigar nessa análise que vou fazer acerca das idéias que tive ao assistir ao filme. Outra questão se refere à baixa estima dos alunos. Gostaria de também chamar atenção acerca da intolerância das regras institucionais encontrada nos ambientes escolares.  
Além de tentar mostrar o quanto a realidade na educação francesa se assemelha em muitos aspectos à realidade brasileira, minha intenção está em mostrar o quanto à imposição de conteúdos muitas vezes não surte efeitos no estímulo do aluno, assim como a intolerância das regras encontradas nos ambientes escolares ao invés de promoverem uma relação de entendimento e respeito entre os alunos e os professores, só tende a gerar mais colisões entre eles.
Ouço de muitos educadores, inclusive eu mesmo já repeti algumas vezes esse discurso, que a educação na Europa, principalmente na França, pode ser considerada como modelo para todo o mundo. Temos a mania de achar que países como a França possuem um nível de intelectualidade muito acima do nosso. Na verdade, muitas vezes confundimos países desenvolvidos com países ideais. Porém, temos que convir que não necessariamente o fator econômico esteja diretamente proporcional ao aperfeiçoamento intelectual e crítico de uma sociedade.
Ao assistir ao filme, o que pude notar é que inclusive a estrutura física da escola francesa possuía um aspecto tão decadente quanto à estrutura física dos sistemas educacionais brasileiros. Na verdade, eu até achei que no caso do Brasil, com sua mania de construir ginásios de esporte nas escolas, faz com que ao menos os alunos possam encontrar dentro desses ginásios uma possibilidade de encontrar um espaço de convívio entre eles. O que o filme mostra é uma escola sem estrutura capaz de sequer dar um espaço para os alunos transitarem, jogarem futebol, etc.
O filme vai mostrar também o distanciamento dos alunos com relação aos conteúdos expostos pelos professores. Apesar do professor de Francês se demonstrar bastante interessado em ouvir seus alunos, o que podemos notar é que os discentes se encontravam sem qualquer motivação que viesse a gerar um maior estímulo das suas práticas em relação ao conteúdo dado em sala de aula. Os alunos classificavam os livros discutidos pelos docentes como livros sem qualquer utilidade na vida deles.
Falamos bastante sobre a realidade precária dos alunos brasileiros, o que não deixa de ser pertinente tal crítica, no entanto, ao assistir ao filme, notei claramente que os alunos inseridos naquela escola eram assim como os alunos brasileiros, bastante carentes de capital escolar e cultural. Assim como os nossos discentes, aqueles meninos e meninas traziam uma falta de perspectiva assustadora em relação aos seus futuros. Ao final do filme, depois do professor perguntar o que os alunos haviam aprendido ao longo do ano, aparece uma aluna que chama atenção de que não foi perguntado a ela o que ela havia aprendido. Ela mesma responde que não aprendeu nada, como também não tinha interesse algum em fazer um curso profissionalizante.
Uma coisa que também me chamou bastante atenção no filme foi a forma como as regras institucionais eram passadas e interpretadas pelos alunos. Apesar da escola exposta pelo filme possibilitar aos alunos o direito de possuir seus representantes de classe durante as reuniões dos professores, podemos notar o quanto a leitura que esses alunos faziam dos chamados Conselhos Escolares era tão intolerante quanto à postura dos professores em relação a eles.
O que havia era uma necessidade de oposições recheadas de mágoas, de vingança, de ódio dos alunos em relação a essas regras. Ou seja, se o sistema criado por vocês me pune, eu também quero e tenho o direito de puni-los a todo custo. Não conseguimos enxergar uma relação dialógica como nos traz muito bem nosso querido torto Roosevelt Vieira em seus textos sobre educação. Ao contrário. O que podemos verificar é que as regras comportamentais, ao invés de trazerem uma maior horizontalidade na relação aluno-professor, trazem um jogo de crises e de disputas entre eles.
Enfim: o que pude constatar é novamente a velha relação verticalizada que encontramos nos ambientes escolares. É a velha postura elitista preparada apenas para atender aos interesses dos grupos dominantes representados pelos professores e pelos setores administrativos inseridos nos mecanismos da escola. Em outras palavras, ou o aluno se cala ou ele é punido, ou o aluno aceita ou ele é punido. Não tem saída.
Enquanto houver essa maldita verticalização, essa imposição de conteúdos alheios aos interesses reais dos alunos, o resultado será sempre o desestímulo, a baixa estima entre eles. Se nós queremos de fato construir um aluno crítico, capaz de se emancipar por conta própria, devemos também rever as regras impostas nos ambientes escolares. Por falar em ambiente, devemos também lembrar que um aprendizado não se faz presente apenas nas salas de aula. Portanto, cabe a escola possibilitar aos alunos um espaço físico mais agradável e propício para as relações desses alunos com os outros colegas.

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